Recém Casados
A vida de recém casados é aquele mar de rosas. Meus pais casaram, mas não fizeram lua de mel. Mudaram-se para um apartamento que meu avô deu para eles. O apartamento era confortável e aconchegante para duas pessoas. Moravam na Rua Sete de setembro, no apartamento 171. Na frente tinha uma sorveteria, e o prédio era em uma esquina. Era um lugar bem movimentado, com um comércio ativo.
Logo abaixo do prédio, tinha a loja do meu avô, Ferramentas Germânicas. Meu pai e minha mãe trabalhavam lá. Meu avô era muito famoso e respeitado em Santo Ângelo. E era muito rico. Ele até hoje ainda é conhecido e respeitado, mas não é mais tão rico ainda.
Naquele apartamento, quem vivia direto com eles era o Matheus, um dos meus primos, o mais velho, que hoje tem 19 anos. Ele é muito lindo. Mas deixando os elogios de lado, o Matheus tava lá sempre, porque além de ser afilhado e sobrinho dos meus pais, minha tia e meu tio passavam trabalhando. Ele adorava ficar na casa de meus pais, e acho que isso até era bom, pra eles treinarem como ser papai e mamãe, para quando eu nascesse.
Minha mãe já tinha feito uma faculdade de pedagogia, e quando ela estava no terceiro ano de Direito, ela ficou grávida de mim. Meu pai aproveitava enquanto não era papai, para ir pescar com meu avô e meu dindo, digo, tio.
(Nota: O texto continua narrando o nascimento e cuidados iniciais) ...de ter que acordar no meio da noite pra me eu mamar. E eu não chorava, berrava. Ainda teve uma época que eu tive refluxo. Mas depois, tudo ficou bem.
Ah, não posso esquecer esse detalhe: quando dindo Miollo e dinda Miolla foram me visitar no hospital, adivinha o que eles me deram de presente: deram o enxoval INTEIRINHO do Grêmio pra minha idade. Blusinha, toalhinha, bolinha, meia, enfim TUDO! Meus primos, o Rafa e o Matheus também foram me visitar. O Rafa é só três meses mais velho que eu, ou seja, temos a mesma idade. A gente meio que cresceu junto.
Logo após meu nascimento, meus pais continuaram a faculdade de Direito, e a trabalharem. Por isso eu precisava ficar com uma babá. Então até os dois anos de idade eu ficava com duas babás. Uma era uma moça de 17 anos, baixinha, gordinha e morena. O nome dela era Denise. Ela cuidava de mim durante o dia, enquanto meus pais iam para o trabalho. E a outra se chamava Isolda, mas eu até hoje a chamo de Tia Isolda. Ela cuidava de mim de noite, enquanto meus pais estudavam. Minha mãe acabou a faculdade em 1997, e meu pai um ano depois, 1998. Depois disso eu fui para escolinha, em meio período. Mas nunca perdemos contato com a Tia Isolda, pois ela era nossa vizinha.