A mudança - parte 2
A Mariana estava lá em casa, nós estávamos desenhando, minha mãe chegou pra mim, com uma conversa estranha, dizendo como eu me sentiria se a gente se mudasse (eu já estava começando a suspeitar), mas logo mudou de assunto. Depois veio a notícia que nós íamos nos mudar. Não me lembro muito bem como reagi, mas não deve ter sido uma boa reação. Passou todo aquele filminho na cabeça, de todos os anos em Apucarana, e o que eu tinha "construído" lá. Bem, iríamos nos mudar para Blumenau. Eu não fazia idéia de que cidade era isso. Mas sei que fiquei enjoada desse nome, porque só ouvia meus pais dizendo: "... Blumenau isso, Blumenau aquilo..." Meu pai foi para lá primeiro, pra começar a procurar casa, e decidimos que eu e minha mãe iríamos para lá nas férias de Julho. Até foi mais fácil achar casas lá em Blumenau, porque tinha um primo da minha mãe, do Rio Grande do Sul morando lá também. Então, eles ajudaram o meu pai a encontrar imóveis. Não podíamos pegar apartamento, porque tínhamos a Lilica. Meu pai achou, e começaram a levar a mudança para lá. Minha mãe e eu ficamos na casa de Apucarana, com uma cafeteira, um microondas, dois colchões, uma TV e um vídeo cassete, e nosso almoço era miojo, mais especificamente Cup Nuddles. Uma semana antes da gente se mudar, ficamos na casa de Tia Mariléia. E eu comecei a ir a uma psicóloga (ela se chamava Ana Maria), porque eu andava com medo de muitas coisas, acho que era mais insegurança de mudar. Eu lembro que ela jogava joguinhos legais comigo (risos). Antes de nos mudarmos, nós fomos uma última vez na Festa da Cerejeira, uma festa tradicional japonesa lá de Apucarana. E eu lembro que encontramos a minha psicóloga lá, e eu meio que me despedi dela. Meu pai também veio dois dias antes, porque iríamos para Blumenau de carro, e ele iria nos levar. O último dia na escola foi muito triste, mas também foi muito bom. TODOS da sala escreveram cartas para mim, tiramos fotos, e fizeram homenagens para mim. Troquei endereços, para me mandarem cartas... e ganhei um buquê de flores da sala. Eu fui embora mais cedo, porque tínhamos que ver mais algumas pessoas antes de ir embora. A noite, teve uma janta de despedidas na casa da tia Mariléia. Depois disso, mais uma mudança, mais coisas novas para se aprender. Mas além de deixar os amigos, deixei também uma avó postiça!(risos). Um pouco antes de nos mudarmos, mudou uma mulher já idosa, para a casa ao lado. Eu fiquei curiosa, e queria saber quem ela era. No final, eu acabei adotando ela como uma avó postiça. O nome dela é Ruth, e ela é alemã. Ela sempre me manda cartas, e lembrançinhas.
A viagem foi cansativa, Paraná e Santa Catarina, são grudados no mapa, mas na estrada parecia durar uma eternidade. A Lilica foi com a gente no carro, ela foi mais comportada do que eu. E ainda por cima, de todo cansaço da viagem, quando chegamos em Blumenau, tivemos que ir no aniversário de 5 anos da Carol, filha do Beto, o parente da minha mãe. Quando estacionamos o carro na frente da garagem, eu gelei. Nossa casa não era tão grande e com tanto quintal que nem a de Apucarana. Eu não conhecia ninguém. Lembro que a nossa casa era branca, e quando chegamos em Blumenau estava chovendo, achamos tudo horrível, uma cidade horrível. Com aquele humor, nada é bonito. E a casa era úmida (se tem alguma outra coisa além de chuva que eu odeio, é umidade). Mas eu pensei: nós vamos nos acostumar. Chegamos, tomamos banho, nos arrumamos para o aniversário. Nos outros dias era organizar a casa, colocar as coisas no lugar...
Chegamos em Blumenau em um tempo bem frio. Mas as vantagens de lá é que era mais perto do Rio Grande do Sul. Nós íamos quase todo ano para lá, nas férias, e ligávamos direto para minha avó. Os vizinhos logo foram se aproximando, para conhecer. Mas minha mãe tinha mesmo mais intimidade com o Beto, o "parente" e a esposa dele, a Elaine. E eu só tinha a Carol para brincar. Então em todo canto que íamos, nós íamos com eles. Até eu tinha feito outra amiga, a Sarah, neta de uma vizinha nossa. A gente brincou bastante, mas depois eu comecei achar ela meio que retardada, não sei. (risos) Aliás, uma coisa que acontece muito comigo, eu sempre me afasto dos meus primeiros amigos que eu faço em um lugar. Eu tenho medo disso, porque se eu for analisar isso sempre acontece. Eu me afastei da Sarah. E ela foi meio que a minha primeira amiga. Logo nas primeiras semanas em Blumenau, eu vivi uma aventura com a tia Elaine. Nós estávamos voltando de algum lugar, e no nada começaram a buzinar para a gente. Não estávamos nem ligando, porque achávamos que estávamos coma razão. Do nada, um carro para bem na frente da gente. Quase batemos o carro. Chegamos à conclusão que... Estávamos na contra mão! (risos).