Love in the air

Bem, agora eu tinha nove anos, já estava adaptada, o uniforme da Barão estava mudando e ficando mais bonito. Havíamos mudado de casa, a poucos metros daquela outra. Maior, mais bonita e não era tão úmida. Já participava da maioria dos programas da Barão. Tudo isso fez com que a minha popularidade aumentasse, e conquistasse alguns coraçõezinhos.. Na quarta série, eu comecei a gostar do Lipinho, e ele também gostava de mim. Mas o Guga, e o Lipe, e mais alguns outros também gostavam de mim. Foi uma confusão no meu coração, na verdade eu gostava de todos um pouco, mas eu "fiquei" com o Guga. Me arrependi, ele começou a gostar de outra guria, e no final fiquei sem ninguém. Também com nove anos ganhei outra cachorrinha. Adotamos ela logo depois que nos mudamos. Ela era branca, vira-lata. Chamamos ela de Nana. Era muito fofa, mas estava acostumada a ficar na rua — ou melhor, a fugir.

Uma vez, minha mãe foi à vizinha, e a Nana viu e então saiu pelas entradas do portão. Foi atacada pelos cachorros da nossa vizinha de cima. Foi um estrago, mas ela sobreviveu e ficou bem. Logo depois veio a Belinha, uma Cocker, igual à Lilica. Ela era mega fofa! Mas destruía tudo!

Eu fiquei meio abalada depois que o Guga parou de gostar de mim, então eu chorava demais. Sinceramente, se fosse hoje, eu teria ficado com o Lipinho. Mas teve a troca de lugares, e a professora me colocou para sentar perto do Ricardo e do Hanneman (Nha-Nha). Eu comecei a gostar do Ricardo, mas ele gostava da Letícia. Depois eu “fiquei” com o Nha-Nha. Minha vida amorosa era realmente um desastre TOTAL.

Dos 9 aos 10 anos, ou seja, da 4ª à 5ª série, houve uma crise no casamento dos meus pais. Eu só lembro deles discutindo, enquanto eu ficava sentada em uma cadeira na sala, ouvindo. Depois de um tempo, tudo se estabilizou normalmente. Fomos ao Rio Grande do Sul, e voltou tudo de novo. Depois as coisas ficaram normais. Na verdade, nunca mais foram iguais, mas eles não chegaram a se separar.

Ah, em Blumenau ficamos dois anos sem carro, porque tivemos que vender o nosso, pois meu pai ia ter o carro da empresa. Isso nos fez conhecer mais a cidade, andar muito de ônibus e a pé. E nos rendeu uma aventura inesquecível. Com vocês: BANANA E PANQUECA!

Eu e minha mãe estávamos voltando do centro. Estávamos em um ônibus sanfona, que tinha um suporte para se segurar nas curvas. Naquele dia eu estava sentada na janela e minha mãe na ponta. Estávamos fofocando, rindo do que havíamos encontrado no centro.

De repente o ônibus fez uma curva. Minha mãe grita:

"-Segura, segura nesse treco ai da frente"

Eu respondi:

"-Ah? O que? Ah ta, vou segurar!"

Eu me segurei mais minha mãe se espatifou no chão. Minha mãe começou a dar risadas, gargalhadas, gaitadas... Quando ela foi subir... Ela se apoiou em uma moça, mais bem naquela parte de baixo, sabe? A moça ficou vermelha ou encabulada, não sei ao certo dizer...

Minha mãe disse:

"- Mil desculpas, foi sem querer!"

Ela estava rindo como sempre... Depois minha mãe se recompôs e cochichou baixinho comigo:

"- Se fosse um homem, matava!"

E nós naquela tarde, nos acabamos de rir.

Eu acho que todos os anos são importantes para gente, pois por cada um a gente tem uma fase. Acho que os meus 9/10 anos, em Blumenau foram os melhores anos de lá, porque além das novas coisas que eu estava descobrindo, a minha criatividade era enorme, capaz de imaginar tudo que eu quisesse ser. Eu, a Ana e a Fê nos divertíamos pra caramba. E inventávamos cada coisa. Uma vez eu e a Ana cismamos com o Egito, e que víamos deuses de noite. Levamos isso para a escola, e começamos a invocar com a loira do banheiro. Isso nos rendia risadas. Na verdade eu acho que perdi muito tempo com elas por que ficava muito com os guris. Acho que poderia ter curtido mais. Mas acho que percebi tarde isso. Mas bem, o que valeu foram todos aqueles outros momentos que vivemos e nos divertíamos. Mas isso virou uma lição: aproveite as suas amigas, tu nunca sabe quando elas podem partir, ou até mesmo quando tu podes partir. Aproveite momentos, risadas, porque talvez um dia tu não se lembres delas, mas vai lembrar-se do que elas te fizeram sentir.

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