A primeira série a gente nunca esquece
É, a primeira série chegou. Eu me lembro que eu estava toda animada, agitada. Adorava (e admito, ainda adoro) ir comprar os cadernos novos. E aquele cheiro de papelaria então. É um cheiro mágico, que nem cheiro de banco. Eu fiz a primeira série no Colégio São José, de Apucarana. Aquele colégio era enorme. Era enorme mesmo. Tinha um pátio gigantesco, escadarias enormes, um palco no meio do pátio para as apresentações da festa junina, de final de ano. Eles arranjavam vários motivos para as apresentações. E cada série tinha um tema. Eu era toda miudinha na primeira série. Como a maioria dos meus amigos era da escolinha antiga, ficou mais fácil de se adaptar. É claro, tinha mais gente para conhecer e fazer amizade. Mas as séries eram divididas em três turmas: 1ª série A, B, C. Geralmente, eu caia ou na A ou na B. E sempre com meus amigos. Na primeira série eu cai na 1ª série A. Quando chegávamos na escola, tínhamos que passar uma carteirinha que era como se fosse nossa lista de presença. Quem não passava a carteirinha levava falta. Eu me esqueci de passar a carteirinha apenas uma vez na vida. A nossa professora da primeira série A era a professora Alessandra. Eu gostava dela, era muito difícil eu não gostar dos professores. Mas eu me lembro que eu fiquei triste, porque a minha melhor amiga da época, a Amanda, que era filha de uma amiga de minha mãe, a Mariléia, não caiu na mesma turma que eu. Ela caiu na primeira série C. Falando um pouco da Amanda. A gente era muito unidas. Minha mãe vivia na casa da mãe dela. Ela tinha uma irmã, a Lígia. A Amanda odiava a Lígia. Eu e a Amanda ainda nos falamos de vez enquanto. E quando minha mãe vai para Apucarana, a gente também se vê. Voltando a primeira série: uma desvantagem da escola. O primeiro uniforme deles era horrível. Depois eles fizeram um uniforme lindo, azul com listras amarelas, mas o primeiro, pelo amor de deus... Foi no São José que eu também arranjei um novo amor: o Eduardo. Ah, eu achava ele maravilhoso. Ele era alto, moreno. Eu não sei se ele gostava de mim, mas parecia. Ainda o melhor amigo dele, o Guilherme, era também o meu melhor amigo. Eu vivia indo brincar na casa dele. Ele tinha um campinho de futebol na casa dele. E ele também tinha um irmão menor. E o Gui sempre fazia de tudo pra mandar recados do Eduardo para mim, e os meus para ele. Mas nunca aconteceu nada de sério. Ainda acho que o Gui também gostava de mim! Eu acho que gostava um pouco dele também! (risos) Nas aulas de música ele me paquerava de longe, era aquela coisa gostosa de criança. Eu só escrevia sobre ele nos meus diários.
Eu era muito inteligente na primeira série. Tirava tudo de letra. Sempre fui bem nas matérias, e uma vez quando tirei 8 em matemática, chorei. É eu exagerei um pouco, mas sim, eu chorei. Hoje se eu tiro um 8 fico feliz da vida. Mas nem dá para comparar a primeira série com a oitava. Mas eu era um pouco malvada também. Eu me lembro que tinha brigado com a Carol, e queria me vingar dela. Então escrevi uma carta, fingindo que era ela que tinha escrito e entreguei para o Guilherme. Na carta dizia que ela gostava dele, e que era perdidamente apaixonada por ele. Pelo jeito ela não gostou muito não, e fui parar na diretoria. Foi a primeira vez que fui pra diretoria. Eu era muito certinha quando era pequena, ainda mais com 6 anos. O Guilherme ficou meio chateado comigo, e a Carol nem falou mais comigo. Mas isso tudo passou.