A mudança - parte 3

Daí na sexta série, a Bê entrou na escola. Eu, a Vivi, a Ana e a Bê formávamos o quarteto fantástico. Fazíamos programas juntas, dormíamos na casa da outra, enfim, BAGUNÇA TOTAL! Eu também iria fazer 12 anos no final do ano. Realmente aconteceram várias mudanças na sexta série. Eu percebi que estava crescendo, estava ficando com curvas no corpo e percebia que as outras gurias estavam ficando peitudas. E eu não. Sou traumatizada por isso. Também na sexta série descobri que tinha miopia, e ia ter que usar um bendito óculos! Isso era HORRÍVEL. Acho que entre os 11 e 12 anos, foi o ano que eu era mais feia. Juro, certeza. Eu também usava um aparelho móvel, para ir adiantando o processo na hora de colocar o fixo. Fui para o Rio Grande do Sul, como costumava ir nas férias. Fui eu e minha mãe para lá. Iríamos ficar 10 dias. Foi nesse ano também (2007) que o avião da TAM se chocou na hora do pouso. Lembro como se fosse hoje. Dando a notícia na televisão, um avião pegando fogo. Estava no Rafa a essa hora. Era de noite. No outro dia de manhã, eu acordando para tomar café, minha mãe chega para mim e disse: Filha, nós vamos nos mudar. Só lembro que coloquei a cabeça junto as pernas, mas não chorei. Fiquei em choque. Ficamos 15 dias lá, porque não sabíamos quando voltaríamos, pois desta vez nos mudaríamos para São Paulo.

Meu pai foi buscar a gente, três dias antes de começar as aulas. Eu havia feito escova, e tinha ido para meu primeiro dia de aula de cabelos lisos. E comecei a contar que iria me mudar. Foi assim: cheguei de férias, três dias depois meu pai e minha mãe saíram para vim ver casas em São Paulo (estado). Fiquei uma semana na casa da Vivi, uma das minhas melhores amigas até hoje. Eles voltaram, mas logo tiveram que ir de novo, pois não havia dado certo o contrato que tinham fechado em Americana. Eles foram uma semana depois para procurar novas casas. Conseguiram ajuda de um casal, que eram de Blumenau, Fernanda e Anderson. A Fernanda era filha de um casal de amigos dos meus pais. Eles ajudaram bastante, e moravam em Indaiatuba, mas iam se mudar para o Paraná, então meus pais não quiseram ficar em Indaiatuba sozinhos. Então resolveram ir para Valinhos, aonde tinha o Fábio, um colega do meu pai de trabalho. Foram até o condomínio onde eles moravam. Ficaríamos com um apartamento que tinha lá. O apartamento era lindinho, e aconchegante. Iríamos ter que deixar as cachorras. E ainda tínhamos um gato, o Átila, que tinha aparecido lá em casa, e resolveu ficar. Também tínhamos duas tartarugas, mas elas cresceram e não tínhamos mais espaço, então as doamos para o zoológico de Pomerode. Dessa segunda vez que eles foram, eu tinha ficado na casa da Ana. Mas tinha ficado só uns três dias, tinha sido um pouco mais rápido. Eles me deram a notícia, que íamos ter que deixar as cachorras e o gato. Eu fiquei preocupada, porque não fazíamos idéia aonde iríamos deixar. E nunca, nunca iríamos deixá-los na rua.

Começamos a arrumar as coisas para a mudança. Encaixotar as coisas.. Já estávamos um pouco acostumados. Arranjamos lugares para as cachorras e o gato. A Naná e o Átila ficaram na casa mesmo, pois a mulher que foi alugar a casa se apaixonou por eles. E a Belinha foi para Indaial, porque um cara se apaixonou por ela, e pelo jeito, ela esta na melhor, porque até plano de saúde ela tem. Então, no dia 30 de agosto, foi meu último dia de aula. Foi realmente triste, trágico. Eu chorei demais, e minhas amigas também. À noite, nós combinamos de ir ao shopping, para outra despedida. Chorei mais ainda. Então no dia 31 de agosto, eu e minha mãe fomos de ônibus até Florianópolis, e de lá fomos de avião até Campinas. Meu pai já tinha ido para Valinhos, e a mudança chegou um dia depois de nós.

Eles já tinham escolhido a escola para mim. Eu iria estudar num tal de Colégio Fundamentum. Eu no começo torci o nariz, mas depois ficou tudo certinho. Eles tinham escolhido esse colégio por indicação do Fábio, porque a filha dele que era um ano mais nova que eu, estudava lá (ela foi minha primeira amiga, mas depois ela virou uma mala e chata a maldição entra em cena -risos). A maioria das minhas amigas do Condomínio eram amigas da Amanda, a filha do Fábio. Do condomínio eram a Totonha (o nome dela era Maria Vitória, mas eu chamava ela assim) e a Gabi. Comecei a ir a escola. Eu achei legal, todo mundo meio que me recebeu. Foi bom. Logo fui fazendo amigos, amigas, e conquistei um coração (não sei como, eu era um horror com aqueles óculos). Era o Gustavo. Ele até que era bonitinho, mas sabe, fazia uma semana que eu estudava lá, e ele já queria ficar comigo. Eu meio que me desesperei, e não fiquei com ele. Eu fiz bastante amigas no Fundamentum, mas sei lá, eu não gostava muito de lá. Quando meus pais me disseram que nós íamos nos mudar de novo, só que para Indaiatuba, eu fiquei super feliz. Eles disseram que a Fernanda e o Anderson iam continuar lá, então íamos para lá. Eu continuei indo muito bem na escola. Lembro que no último dia de aula nós dissecamos um peixe! (risos) Eu furei os olhos dele!(risos). Ah, e a gente jogou futebol também. Eu jogava muito bem futebol.

Acabei o ano no Fundamentum, e as férias começaram. Tínhamos um casamento em Ribeirão Preto logo no início de dezembro. Era o casamento de um colega do meu pai, da empresa mesmo. Foi muito mega máster aquele casamento. Eu fui com um vestido azul turquesa, meio que batia um pouco acima dos joelhos, uma sapatilha branca com prata e com cabelos lisos. Cabelos lisos eram para ocasiões mais chiques. Eu sempre tive o cabelo enrolado, e sempre impliquei com isso. Eu odiava ter o cabelo enrolado, porque ele meio que era armado. Quando eu era melhor ele era lindo, ele era um misto de ondulado com cachinhos. Mas daí eu fiquei maior, e ficou horrível (eu achava). Quando voltei do casamento começaram os preparativos da mudança. Eu iria me mudar dia 20 de dezembro, e tinha mais ou menos duas semanas para aproveitar o melhor de Valinhos, ou seja, as minhas amigas do condomínio. Gabi, eu e Totonha éramos o trio condominial, fazíamos vídeos zuando tudo e a todos, nos divertíamos pra caramba, realmente. E nós odiávamos a Amanda também. Na verdade acho que ninguém suportava a Amanda. Eu e ela brigávamos freqüentemente.

Uma vez, um guri se mudou para o apartamento do lado. Ele virou meu vizinho. O nome dele era Bruno. Eu e a Totonha fomos as primeiras amigas dele. Então ele foi fazer a festa de aniversário dele, isso era nas férias. Eu não sabia, porque ninguém tinha me avisado, nem ele mesmo. Estava lá embaixo com a Totonha e a Gabi, e do nada passa ele, um dia antes, com uns balões vermelhos. Eu toda simpática perguntei do que eram os balões, daí ele me disse que era do aniversário dele. Eu na brincadeira perguntei por que ele não tinha me convidado. Ele ficou mega sem graça, e disse que ia me convidar, mas a Amanda pegou o convite da mão dele e ameaçou dizendo que se ele me convidasse, ela ia dar um soco na cara dele. Eu fiquei abismada. Acabei indo no aniversário. Nós fazíamos bastante festa no condomínio. Tinha uma quadra para vôlei, futebol, e todo mundo se juntava e jogava. Eu fazia sucesso, porque ia muito bem nos esportes! Bem, depois do meu aniversário, enfim o dia da mudança para Indaiatuba chegara.

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